Diário, 26 de maio de 2026
Vaidade Ou Ecles. 1
Ao ler Huston Smith sobre o siquismo relembrei, talvez como nunca, como tudo era vaidade. Tudo era apego. E como tudo podia ser sagrado dentro deste plano efémero.(Se ao menos alimentassemos não a fome mas a boa sede)
Mas somos cegos. Ratos correndo na roda numa sala rodeada de espelhos.
Buracos negros com medo do futuro ou somente com os olhos neste limitado instante de congelamento ou fuga, prazeres fulgurantes ou decepções amargas, distrações insidiosas, esquecimentos hereges ('Ghaflah', no islamismo).
Contribuímos para a manutenção desta redoma tão profana. Porque as nossas bíblias são ecrãs que não nos levam para fora de nós, pelo contrário, tornamo-nos o Narciso apaixonado pela sua própria imagem (quando saberemos que tal é uma maldição? Por que não compreendemos os ensinamentos dos mitos?).
Este descentramento tão necessário talvez sobrevenha na lembrança funda, esquecida, de que tudo é vaidade. E então, talvez : possamos ser livres e razoavelmente puros. Humildes.
Prostrados num sentido oposto ao da submissão: reverência para com a vida. Para com o Outro.