sábado, 29 de março de 2014

Quero um céu


Quero um céu para me lembrar de que sou tudo
e nada ao mesmo tempo.

Quero um céu para espelhar nele tudo o que já
foi e o tempo esbateu.

Quero um céu onde os meus olhos se percam, 
quando preciso de me perder.

Quero um céu, abóbada estrelada, onde verta a
minha alma sufocada dentro de si, para respirar...


MF



No palácio da Memória


Hoje somos nós, respiramos amor
amanhã cairemos no olvido, nus
de arrependimentos, pois somos
tanto sangue, tanta luz e tanta vida

Era sombra até te ver chegar puro
A vida fluí em mim, quando pensei
nunca mais a recuperar...
Contigo sou mais alta, mais solene

Não sei que acaso ou que ventos te
trouxeram a mim, que céus nos viram
e derramaram em nós todo este amor
que queima e faz tremer a alma

Onde quer que as almas sejam feitas
a tua e a minha são duas metades de
algo que não sei, mas é etéreo

Em dias de chuva nos fizemos fortes
Trazemos a dor e a vontade de viver
De pé, hoje tão altos a forjar memórias
Sorris e eu sorrio. Estamos vivos

Vamos ficar, deixar-nos ser até que o
tempo nos leve, nos gaste os corações,
dissolva a flor em nós e nos faça frios
Antes que a vida queime o nosso trono

                                              Haverá Sol, no palácio da Memória,
eternos no espectro de luz que nos
cobriu e nos lugares e músicas que
fizemos nossos, meu amor...

MF

Quebra, coração

Coração: Filho da solidão, essa lágrima milenar que seca e volta a correr


Quebra, coração. Estás só,
sob um céu cinza tão pesado

Há páginas a serem escritas
com tudo o que te fez frio

Quebra, pois é de mais conter
pede aos olhos o sal

Carregaste o tempo e o medo
de só te teres a ti

Quebra, não acumules mais
liberta-te e cai num céu

Choraste mil mares e dores
de bateres por bater

Quebra, és o filho da solidão
navegas sem lastro

Procuraste em vão alguém
que sonhasse contigo

Quebra, coração. Não é o fim,
aprendes com cada lágrima

MF

Solidão


Solidão, és uma amante que não pedi, qual âncora,
pesas-me cargas que me puxam e que prendem no
fundo do teu mar de bruma, meu coração pesado.
Sou tua noiva predileta, fizeste minha alma amorfa.

Pintas os rostos vazios, engoles o sol, bebes as cores.
Caminhas na esteira de mim, doce canto de sereia.
És abismo que me chama sôfrego, pedes-me de volta
Submissa, regresso a ti, após fugaz exílio

Não sei que miragens forjaste, disfarçadas de lar,
insidiosas paisagens prometiam vida sem decepção.
Não sabia que sorverias a vida, secar-me-ias o sangue
feito para correr e queimar em instantes efémeros
onde o céu encontra a alma solene.

Sob o teu véu já não me vejo, levas-me a vida,
deixas-me o tempo para matar.
Ninguém te quer, mas toda a gente te tem.
Ninguém me quer, e ninguém me tem.

Morro e renasço, no teu berço amargo
Matas-me, mas deixas-me viva

MF


sexta-feira, 28 de março de 2014

Saudade


Saudade, palavra que dói falar, tinhas de
ser inventada só para mim, crua chama
que queima e chama os olhos a chorar
pelo que não mais podem mais ver

Vagueio nesse mar, tão longe o silêncio
difuso o horizonte e as cores outrora vivas
Éter em que a minha alma está embebida,
navegando tempos idos

Lugar em que nos perdemos, terra sôfrega
que nos consome e gasta o frágil coração.
Quero voltar e reavivar as vozes, os cheiros,
cores, caras e lugares

Voltar.

Pudesse haver barcos para voltar e sanar
corações batendo na cadência de lágrimas
revivendo cópias baças do que um dia foi
som e odor e luz e riso

Saudade, saudade de quem por mim passou
E no vento se apartou, deixando silêncio.
Das histórias, dos portos em que me fiz,
em que parei e vivi, cheia de amor

MF

quarta-feira, 26 de março de 2014

Hoje não sou só


Hoje não sou só, trazido no ar
chegaste a mim e salvaste-me

Hoje não sou só, tenho-te a ti
e fizemos de nós dois um nós

Hoje não sou só, fizeste-me mais
do que sou ou pensei poder ser

Hoje não sou só, porque estás em mim

MF


terça-feira, 25 de março de 2014

Medo da felicidade

Por vezes sinto um medo sem nome, o medo de que a felicidade seja efémera. O medo de que eu esteja fadada à solidão, sendo a escrita um dos meus poucos refúgios entorpecedores.
Sinto que estar finalmente tão perto do Sol possa ser uma das partidas do destino: dar-me o Sol e o Céu , apenas para eu sofrer pela sua memória, por os ter tido um dia.

MF

Vulnerável

Ocupaste cada recanto da minha alma, para nada posso fugir onde não estejas. Nada consigo fazer sem que a tua imagem não se desvende atrás dos meus olhos. Sinto-me tão alta perto de ti mas tão vulnerável por colocar nas tuas mãos, quase toda a minha felicidade. Mas se tens de ir, vai e deixa-me só, vazia de promessas.Se tens de ir não fiques, alimentando-me de esperanças...
Vazia de esperança, temo o regresso inevitável a mim.

MF

Fevereiro

Quebra e Sal


Ás vezes a alma chora, mas os olhos estão secos. Secos de lágrimas, secos de brilho, secos de significados. Vazios. Sós e vazios. Como que perdidos dentro de nós, navegando em desertos estéreis sem nome, que nos sorvem a vida. Onde repousam sem repouso, náufragos da dor. Entreve-se apenas um peso atrás desses olhos baços, num prenúncio de quebra e sal. Olhos secos e impetuosas cascatas, à espera de correr.

MF

segunda-feira, 24 de março de 2014

Quero viver


Quero cruzar o caminho de alma perdidas e mostrar-lhes um caminho, quero cruzar o caminho dos artistas, dos loucos, dos sonhadores. Quero viver os meus sonhos e os dos outros, partilhar das paixões que lhes fazem brilhar os olhos; Sentir-me viva nos outros e ter os outros em mim -  as suas histórias, paixões e sonhos. Caminharei sozinha depois, cheia de vida em mim...

MF

sexta-feira, 21 de março de 2014

Sangue jovem


Calamo-nos aos dois com um beijo
pois as palavras só causam dano
Deixamos o silêncio abarcar-nos
Somos um só, livres nesse ensejo

Perscruto o teu olhar cru marejado
de promessas, e palavras diáfanas
Esqueço-me de mim nesse enlevo
Absorta por tudo o que há alado

Urge a necessidade de te escrever
esculpo a partir do silêncio e treva
Teu sorriso vivo guardado, teu toque
calor e frémito, teu olhar a tecer

Em nós a saudade de dois amantes
a pressa e o fulgor de sangue jovem
Eternos no compasso de um beijo
Cessa o tempo nesse nosso instante

MF


Na esteira do teu beijo

Trago em mim a pressa de viver,
mente vazia e o sangue quente.
Roubas-me o sono a entrever,
imagino-te, adormeço suavemente

Repouso, na esteira do teu beijo...

MF


Caio em mim


Procuro incessantemente por palavras
impetuosas, que te cheguem ao coração
que te arrebatem firmes com paixão
Mas é como se tudo já tivesse sido dito

Procuro incessantemente por gestos
apaziguadores, que te tragam novo fulgor
que entorpeçam suavemente toda a dor
Mas é como se tudo já tivesse sido feito

Procuro incessantemente por curas
indolores, que te façam de novo vivo
que tornem o medo débil inimigo
Mas é como se tudo já tivesse sido exangue

Procuro enfim, incessantemente por ti
escondido, atrás de olhos soturnos
que navegam sem lastro ou rumo
Mas é como se tudo já tivesse sido perscrutado

Caio em mim, quedo. Sou apenas eu para este mar.


MF

quinta-feira, 20 de março de 2014

Caminho só, sem saber quem sou

Caminho só, sem saber quem sou.

Hoje, vivo numa parte de mim.
Amanhã, serei outro.

Nasço, cresço e morro,
Todos os dias.

O meu coração quebra, silenciosamente,
Com qualquer movimento do vento.

E um novo coração nasce,
Tão frágil, tão inseguro de si.

Caminho só mas longe de estar sozinho.
Tenho em mim um mundo.

Mas não sei quem sou,
Porque Eu não existo.

Nunca existi.

- PN

quarta-feira, 19 de março de 2014

Estamos Vivos



  Estou numa paragem contigo deitado no colo, como se não houvesse mais nada, os teus olhos nos meus olhos, as minha mãos no teu peito, os teus lábios a cantar uma canção. Sincronizada a batida dos nossos corações. Faz-me pensar que o mundo está cheio de vida escondida, milhões de almas criam mundos dentro do mundo, microcosmos de histórias e de pequenos grandes momentos.
Momentos simples, é disso que se trata a vida. Sem necessidade de ir muito longe, viajo mundos nos teus olhos. Aprendi a fazer as melhores memórias, memórias intensas ao primeiro estimulo que as tornou intensas: Uma música diferente em cada momento e este tornar-se-á eterno.
  O mundo é só um cenário, a vida encontra-se em nós, estamos a acontecer, estamos a viver, somos belos de mais para não haver algo a sorrir ao ver-nos de fora ou de cima.
  Exteriorizo-me de mim, vejo-nos aos dois cúmplices e talhadores de memórias. Não sei quando irá acabar, quando partiremos para novas histórias, mas nesse momento consigo o maior sorriso - Estamos vivos.

MF

Um dia seremos velhos



  Tento ver além do espaço, além de tudo alcançado pela mente, mas nada consigo adivinhar nesse horizonte diáfano. Sei que tudo o que hoje tenho nas mãos, amanhã irá escorrer-me como areia por entre os dedos, e tentarei agarrar algo mais, para o resto da viagem. Esta certeza de que nada perdura não carrega em si uma sina trágica, carrega sim o movimento, uma sempre promessa de descoberta, corrida e aprendizagem.
  Um dia seremos velhos, em nós as marcas do tempo e da vida. Sonho estar lúcida até ao fim, sonho rir das histórias que não quero esquecer, sonho partilhar todas as falsas partidas, todos os pequenos sucessos, todos os segredos da vida. Recordarei os dias de Sol tão distantes, com saudade e não com amargura, porque vivi. Embalada em memórias cálidas, com réstias das almas de quem por mim passou, restos de sonhos, restos de fracassos, restos de promessas...

  Nesta insónia à beira do sono consigo, finalmente, ver-nos ao longe velhos em cenário onírico... minto e fantasio sob um céu estrelado, sobre o universo em mim, sobre todas as possibilidades, todas a histórias, todas as escolhas, e algures acredito que vivi tudo isso, todas a vidas, histórias possíveis, num outro mundo... Fui mil pessoas mas no fim, eu mesma, sempre eu.
  Invento algo para me deixar morrer, não um céu, mas a confiança que fui tudo o que podia ter sido, escolhi os melhores trilhos, mesmo estando cega, escolhi quem me podia ter feito mais viva, talhei luz a partir da sombra, fiz da vida um poema.
  Não tenho medo, deixo-me ir com a magnificência do céu que me espelha a alma, a alma tão cheia de anos, tão cheia de perguntas... mas o mistério é o que nos faz viver. Talvez no ultimo segundo todas as imagens, todos os cheiros, todas as cores, todas as memórias acorram a mim, num turbilhão de entendimento e só aí  me seja permitido morrer com o segredo, selado em lábios ainda quentes. Talvez o segredo fosse não haver segredo, talvez o segredo seja apenas navegar.
  Um dia seremos velhos, mas hoje somos jovens, acordo deste devaneio e vou viver.

MF

sábado, 8 de março de 2014

Insatisfação

Há pessoas que passeiam durante toda a vida, nunca encontram o seu lugar. Mascaram-se nas sombras e partem em viagens eternas, sem descanso. Neles, tudo é frágil e insuficiente. Nada atinge os seus padrões. São eternos insatisfeitos, ninguém nem nada lhes pertence. E morrem sós, tristes e sós.

PN


quarta-feira, 5 de março de 2014

Escrevo

"If a writter falls in love with you, you can never die"


  A existência é efémera, mas em algum lugar li que só morremos quando nos esquecem. Não quero esquecer quem não merece ser esquecido - pelo que me ensinou, pelo que me fez sentir, pelo que me fez mudar e crescer. Escrevo, porque é o meu refúgio e catarse. Escrevo para recordar, talhar nas palavras que ficam quem por mim passou e fez cantar a minha alma - Uma vez desvendada a sinfonia que encontrou eco em nós, celebro e colho as sensações, as palavras correm fluídas e transmitem o que quero transmitir. Encontro-te de novo, mesmo se não estiveres comigo, torno-te eterno nas minhas palavras, torno-te eterno em algum lugar.



MF

Beijo

" (...) os nossos lábios uniram-se, e com eles a nossa alma, e os nossos sonhos, e a nossa dor, e todos os dias e semanas e meses de desejo reprimido por aquele momento. Foi esse o princípio da nossa eternidade, da única imortalidade possível: a de se saber estar para sempre vivo dentro de outra pessoa."


Texto completo : http://lulunacy.wordpress.com/2013/07/06/curta-olimpo/#comment-461
<3

terça-feira, 4 de março de 2014

Esperança

   Sou uma montanha russa de estados de alma. Tanto se faz Sol como Chuva, dentro de mim - Sol na tua presença calma e segura, Chuva quando te vais e perscruto a alma vendo nela toda a esperança com que me alimentas, num prenúncio de ruína. Esperança. Nada envelhece mais que a Esperança...despedaçada. Esperança que acalenta um coração, somente para o quebrar, porque nunca foi mais que quimera e fulgor incerto. 
   Mas o coração vive, crente ingénuo, das cinzas remanescentes de todas as promessas...

MF


segunda-feira, 3 de março de 2014

Quão bom estar vivo

03-03-2014

Na vida há momentos tão simples mas tão cheios de vida...Em que não trocaríamos onde estamos e com quem estamos, por qualquer outro lugar, tempo ou companhia. Em que nos sentimos tão seguros e tão próximos de outra alma que a vida corre em nós e ansiamos por mais um dia, mais um amanhã. É nesses momentos em que percebemos quão bom é estar vivo...nesses momentos tão simples em que sinto o aconchego do teu corpo, ao som de uma música que talhará na alma a lembrança dessa calma, dessa alegria, desse dia em que somos jovens e já não há tempo, nem dor, nem medo.


"But with you my dear
I'm safe and we're a million miles away"


MF

domingo, 2 de março de 2014

Hoje sou bruma

Ontem fui luz. Hoje sou bruma, descanso na vida. Tenho em mim um cansaço que não pode ser convalescido com mil noites de sono, um cansaço que acorda e adormece comigo, inerente a mim. Cansaço. Talvez nunca aprenda a viver na Vida mas ainda sonho sob um céu sem estrelas...

MF

Insónia

É noite, estou só e escrevo, na esperança de achar as palavras que falem a minha alma. Os meus pensamentos correm rápidos e roubam-me o sono. A minha mente é assaltada por milhões de imagens vívidas que destabilizam a minha alma. Escrevo, mas não sei o que escrever... Mato o tempo, nesta insónia.

MF

Estou aqui

   No fundo de mim há o medo do abandono, tão mais doloroso agora, depois de ter visto quão belas eram as cores além do muro atrás do qual me escondi. Depois de saber o que é sentir-me liberta de mim, em comunhão com outra alma idílica com a qual há a promessa de esculpir memórias, momentos tornarem-se histórias. Estou aqui. O tempo passa, tão lento. O sangue esfria, no meu apeadeiro desolado. Estou aqui, escrevendo e esperando, por ti.

MF

Noite no coração

    E de repente uma tristeza anónima infiltra-se-me no centro do que sou. É a tristeza de ter morrido mil anos dentro de mim na minha eterna espera por algo que nunca veio e nunca encontrei, por não saber o que procurar. A tristeza de a vida me ter sido sempre estranha, o amor tão perto e tão distante, todas as pessoas um adeus. Um adeus cujos os passos deixaram marcas indeletáveis porque os pintei tão belos, na imaginação. A tristeza de me sentir tantas vezes estrangeira, mesmo dentro de mim, de ter um coração taciturno, de ter mil e uma histórias inacabadas, de me sentir estagnada num prólogo de um livro cheio de possibilidades e paisagens vivas...
     É noite no meu coração, estou fechada em mim. Para sempre à espera do que não sei. Inerte sonhadora...

MF

sábado, 1 de março de 2014

Capaz

Mas sei que sou capaz de grandes palavras, grandes sentimentos, grandes histórias, grandes sonhos e memórias - Se ao menos houvesse quem me visse, quem me quisesse, quem me fizesse despir a alma...

MF


Tristeza em mim

E há uma tristeza em mim,
aloja-se-me no coração.
Lembro o que quero esquecer,
esqueço o que quero lembrar.

E há uma tristeza em mim,
de querer e não poder,
de ser receptáculo vazio
de uma alma antes viva

E há uma tristeza em mim,
sem razão, inusitada.
Causada por coisas em falta,
perdidas no caminho, na viajem
da Alma.

MF