terça-feira, 2 de fevereiro de 2016




Estiveste comigo desde sempre.
Estiveste comigo no mar, assististe-me, viste, tudo o que eu vi, sentiste, tudo o que eu senti, sentiste o Ser, tudo o que mais ninguém viu ou podia ver. Viste a Beleza comigo, transcendeste comigo na solidão, no mar, no céu estrelado, no piano, em todas as viagens de regresso ao fim do dia, em todos aqueles versos.
Como poderia eu não te amar?

Nasceste comigo. Percepção. Melancolia. Exploratório. Beleza. É um tipo especial de solidão esta, -quando abro os olhos pela primeira vez e todo o mundo continuou a dormir.


*

Fito-te os olhos. Já não somos quatro. Somos dois. Porquê? Que foi feito de me sentir dupla, falando comigo, eu e eu mesma? Agora sou, e tu és. Obliterámos o mundo. Fundimos as separações de nós. E entre-nós. Tento dizer o inefável. Que cá dentro cada um de nós é dois. E é uma grande solidão assistir tanta beleza às vezes, e só ter eu atrás de mim. Mas no Amor, uma essência exterior vê através de mim, ainda que não esteja dentro, e não há mais aquela benigna mas incomensurável Solidão.



MF







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