segunda-feira, 3 de abril de 2017


3/04/2017


aumenta as luzes, os corredores estão avidos de estrelas.
carrega o corpo, os nucleos de dentro sedentos de amor

desliza, aperta, esmaga, dentro do amor tudo é possível
leva-me outra vez ao paroxismo mutuo
sejamos hibridos, fusoes humanas

não sabemos, os universos que colapsaram ou nasceram hoje
só te sei, amor, só me sabes, e é tudo

é tudo o inspirar, é tudo a ausencia não vazia, e já não ter
aquando te tenho, o grande chamamento de baixo
das entranhas de todo o passado

eu não quero morrer amor, eu tenho a fronte grávida por saber
eu antevi sinais, eu escalei um dia lugares sem nexo ou contornos
eu escrevi incessantemente à espera, à espera do começo,
à espera do final, à espera de tudo, à espera de ser


e a completude é um mar que nos abraça nos sonhos
e uma cauda longe demais da boca
e rodopiamos para sempre, indefinidamente
almejamos somente e só a alma
somente e só o nicho fetal, a lonjura próxima
o deus mais humano, uma mão atravessando a noite

eu quero, diz a criatura, eu quero ( e chora)
eu tenho, diz a criatura, eu tenho ( e chora)
tudo o que é mais humano
eu quero, quis, e tenho
o sol deu-se eventualmente ao corpo
os olhos viram inevitavelmente o mar, o céu, as estrelas
e houveram noites de êxtase e de placidez
solidões aéreas e brancas e solidões assombrosas
no presente calcinado
o peso abismo e gracioso da memória


eu tenho - um corpo, um espirio de mil anos ?
que se sabe ancestral com um saber que não é dos dias
mil anos e nada sei que não possa saber


tentarei

a seta atingindo o infinito mais denso e mais pequeno
as vozes estridentes tornando -se cristalinas
numa noite serena , aquietado o espirito nas cascatas de luz


liberta-me se for muito ser sozinha
humaniza-me sempre que fugir
para demasiado perto de um centro intocável
gravitasse lá por mil anos.


MF

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