quinta-feira, 27 de julho de 2017




Escrita automática

27 de Julho de 2017 
1.43h


adoro a loucura
fluidez ininterrupta, estilhaço na veia
vislumbre de cura 
terrenos espumosos, desvios insidiosos
altares de ternura 
pedaços de pura (intuição ) 

  saber-me rendida, numa cruz pendida,
num farol obscuro eu vi:
as areias fazendo-se mar
a justiça traçando o eixo
o medo, trejeito da enevoada loucura contra o espelho
eu vi eu caí eu sorri
eu cai eu chorei abandonar-te antes de te abandonar
por fingir ser humana
despi minha loucura
despi-me para te beijar
e fazermos sentido
mas só carne não me enaltece o espírito
não me rodopia aceso o espírito 

contra o infinito
eu vou amor, eu vou de ti até mim outra vez
minha loucura esteve fechada, em mofo e fétido ar
não me olharias se te mostrasse
  o sem sentido ouvido e sofrido
  o sem sentido sentido pressentido em vagas palavras
caos conducente, caos amorfo, caos labareda
eu quero mais agora que o teu corpo
eu quero uma totalidade circunscrita (na carne)
eu quero que me leves e tragas de volta firme

 - na minha loucura.

*

Ardemos juntos no fogo
sangue contra sangue
grito contra grito
mas que fazemos depois? 

 - no silêncio do mar minha alma sangra 
da ferida entre-aberta do mutismo entre nós.



MF


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