sábado, 6 de janeiro de 2018






Nervo vago

Senti-nos e senti
que me faltavas
Vaga dor
Vago tremor
Chovia e eu chorava
Tu dormiste tarde
Envolto nos fumos
Que te apagam
Pensei
- Se a consciência te pesasse
Estaria sozinha quando cheguei?

Carro parado
Só a lua ao meu lado
Bem acima de mim
E eu ali
com o ontem dourado
no meu peito quebrado
porque tão perto e longe
Como é possível, pensei
Para ti só longe
Se ainda está em mim
Olhos vazios, os teus
Eu chorei.
Estava só
Não havia escadas
Para a beleza partida,
mas ainda viva
dentro de mim

Esta solidão bate mais
no coração
É a imagem de um tiro
no velho antílope
(outra vez)
Que ainda se erguia 
no sono da alegria
Mas estava só no amor
dentro da carne
Circunscrito
Ao peito, 
Ao grito, 
Ao mito,
Está ferido.
Estou ferida.
(Estaremos ambos feridos amanhã?)
Este vórtex na cabeça
Esta sede de sentido
Esta sede de infinito
Estas imagens:
Era mulher, era criança
Era dor era fogo era dança
Era derrota sabida,
Futuro desfeito no presente
Lágrima ,olhar caído,
Era isso:
 - Por aquilo que eu via e não sabias
Isto mesmo que escrevo:
Esta chama final assim apagada.
(Porque-quando sopraste?)



MF

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