sexta-feira, 31 de julho de 2015




12 de Julho de 2015

E eis a montanha talhada do teu corpo
Sobre o meu
Não te conheço, disse eu
Mas eu sei que amantes nunca se conhecerão por inteiro...
...o fogo a queimar por dentro numa combustão que não enleva mas apenas me reduz a estilhaços - “Amo-te, amo-te”, sussurra o ser sugado até ao tutano pela tempestade felídea intemporal que acomete inevitavelmente, em algum dia, o sangue de todos, mesmo daqueles que um dia pensaram jazer mortos nos seus próprios corpos ainda em vida, até acordarem no clarão súbito, furor caótico de uma pura paixão que acendeu de novo as luzes e acelerou de novo os carros, as horas, o som, o sangue, o corpo, a alma, e redefiniu a vida pela vida, a vida até morrer e a morte como estridente tiro até ao coração lânguido e ávido por mais de ti.
  Quero morrer assim - Aterrorizada por antever o fim. E depois a paz embebida no ouro dos teus olhos e da tua voz, dos teus lábios que selaram com miríades de sentidos a última juventude autêntica do meu coração. Quero que me mates - num misto de assombro, esplendor, tragédia amante, a única morte, a única. O meu corpo deitado sob o mesmo céu de Maio que nos viu nascer e amar como se tivéssemos descoberto essa sinfonia de cinco sentidos, seis, sete, até mais. Morrer sob o céu de Maio atolada na imensidão de tanto sentir e não poder escoar tudo isso até ti de forma límpida e eloquente, de modo a subtrair de ti o medo e juntos extinguimo-lo na fogueira do nosso altar erguido a partir de tudo o que corria entre nós. Morrer e sentir-me viva em ti, gravada, segurada firme contra a tua alma. Ficar. Como ficaste para sempre – em mim que não tinha nada a perder até a ti porque adormecida como todos aqueles que jaziam inertes nos seus próprios corpos. Acordaste-me - 19 anos, choro no teu ombro depois de tanto rir, despidos os véus que inibiam a dor de se falar, de te falar, tudo o que doía cá dentro e era vasto, múltiplo, associado a tanto e a nada ao mesmo tempo. Chorei ao teu ombro, tropeçando nos meus próprios pés. Nunca fui tão frágil, humana. Deixa-me viver-te outra vez, não para me salvar, não, mas para amar, amar pelo amor, honrá-lo e demonstrá-lo ainda sincero, verdadeiro, magno, rico, excedente, puro e capaz de alastrar por dentre todas as esferas humanas incumbindo as mãos de o eternizarem como se este não martelasse toda a vida no coração, ritmos agridoces na solidão de um quarto. Como hoje. Amor não me deixa dormir às duas da manhã. Rebenta na costa a saudade e imagino-me de novo nos teus braços. 

Hiper-sensível, vulnerável à tua destruição inconsciente que se confunde com salvação.

Até o ar me fere, por sentir nele a tua ausência.


MF



to pb


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