sábado, 25 de junho de 2016







meu cérebro ferido, sequioso de inocência
trémulo sob a memória de uma infância e ausência de tempo, ausência não vazia
sob o sol como lagartos e a ilusão (?) de uma casa
não, eu sei que tivemos uma casa. eu sei que todos nós fomos essa casa
mas que foi feito de nós?
o tempo só parece agora escorrer como um rio velocista porque os nossos corações não o param
nem sentimos tanto a ponto de gravarmos esse sentir e o pormos a arder na memória

eu sei - se tivermos mil exuberantes, singelos e fulgurantes fogos, então vivemos,
então a mortalidade não assombra,
porque dentro há um céu onde o sol não se põe.


*


ontem vi o céu quase capaz de mergulhar no meu próprio peito
como se eu fosse uma montanha
e parecia incapaz de degenerar dentro uma só célula
no seio da luz entreaberta no silêncio.


MF





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