domingo, 9 de outubro de 2016






Memorandos


6.10.2016

18.57

Eu sei que não me deixaste nas minhas mãos
eu só não vi que as minhas mãos eram as tuas.


7.10.2016

8.33

Debato-me na sombra e mais ainda na luz
não é a primeira vez que vivo nem será,
certamente,
a última.


8.47

Esquece-te abandona-te às palavras.
De que tens medo? Escrutínio do interdito que te aparece vestido em sonhos?
Dissolve-te nas runas, no grande fundo de sempre
e toca as mãos de mil humanos e absolve a solidão do magma

Havia tanto. Há tanto. E tu sabes.


8.40

Eu sonhava com tímpanos furados
e a dor fazia-me crer que o real não era real
e então adormeci.


8.53

Os ciprestes e no seu centro rasgos breves de luz

e a pulsação maior síntona,

e a respiração, a oração sendo.

8.58

A sombra descendo
transmutando-se na própria luz.

13.57

Há palavras com as quais eu choro
Há palavras com as quais eu brinco
Há palavras com as quais eu procuro
 - achar aquilo que nunca perdi e achei perdido.

14.02

Não haviam palavras para dizer -
que eu estava noutro lado
quando o meu corpo estava ali.


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