sexta-feira, 7 de abril de 2017




talvez sinta que sinto muito
tudo isto
tudo o que é, tudo o que não é
talvez sinta que me tenha esquecido,
perdido, do mundo
na procura do seu sentido
talvez tenha sentido, no quarto
a melancolia dos sonhos mais simples
com a morte na sua esteira
a proximidade que tanto almejamos
e nos mata
a rotina dos dias, qualquer coisa que nos separa
mais e mais
dentro de mim eu sei
que sou a criatura mais feliz e melancólica desta terra
não me perguntes os meus medos
eu somente tento encontrar-lhes um quadro dentro
que os justifique
eu vejo os meus pais e a minha casa que tantas vezes não foi casa
eu vejo o amor inicial, primordial, antes de mim
ou imagino do mais longe da inexistência, imagino
eu vejo o final em vida , eu choro os finais em vida
eu tenho medo de casas, amor, de me deitar e acordar contigo
todos os dias
e nos tornármos velhos e amargos como todos os outros
e eu juro-te, que ninguém riu mais que eu
lembra-te disso quando me vires apagada
e não deixes que o apagão no meu rosto nos separe
são gravitações incontroláveis em torno
de imagens prematuras e medrosas
são gravitações em torno da insegurança
do meu próprio espírito
que se pensou soberano um dia
na solidão reconciliada ao fim do dia
mas sou só humana
sem pista de coisa alguma que rastreio
(felicidade intoxica a sombra que vive dentro?)
tenho medo das coisas que não dizemos um ao outro
discutimos três vezes em sonhos
tenho medo de amar o desconhecido que vive dentro
de cada um de nós.


MF



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